A Bíblia

É a Sagrada Escritura formada pelos livros do Antigo e do Novo Testamento e contém as doutrinas que orientam a conduta dos cristãos. A Bíblia foi escrita em três idiomas: hebraico, aramaico e grego.

O Evangelho

Evangelho é a Doutrina de Cristo e cada um dos quatro livros principais do Novo Testamento. São os trechos que se leem na celebração da missa. Foram escritos em grego helenístico ou koine (no grego moderno Ελληνιστική Κοινή, literalmente "koiné helenístico", ou Κοινή Ελληνική, "koiné grego", também conhecido como ἡ κοινὴ διάλεκτος, "o dialeto comum"). Foi também a língua original do Novo Testamento e "Jesus era um falante nativo do aramaico, mas ele também teria conhecido o hebraico porque haviam escritos religiosos em hebraico" – conforme afirmado pelo professor de linguística Ghil'ad Zuckermann – e isso pode ser uma das causas que tenham contribuído para dificultar a tradução dos Evangelhos.

O Sermão da Montanha

O Sermão da Montanha é o texto que melhor manifesta o que há de mais íntimo da mensagem do Novo Testamento e que resume a perfeita da tradição cristã. Mesmo que a Bíblia seja lida por completo, é improvavel que se encontre algo que supere a sabedoria ali contida. Santo Agostinho chamou-o “regra perfeita” da vida virtuosa - uma vida pautada no bem e voltada ao proximo.

Essa mensagem suprema do Cristo não contém uma só palavra de colorido dogmático-teológico. O Sermão da Montanha é integralmente espiritual, universal, ou melhor, “místico-ético”; não uma teoria que o homem deva “crer”, mas uma realidade que ele deve “ser”. A mística é o “primeiro e maior de todos os mandamentos”, o amor de Deus; a ética é o “segundo mandamento” o amor aos nossos semelhantes. E, nesta base, é possível uma harmonia universal. Huberto Rohden

“Se se perdessem todos os livros sagrados da humanidade, e só se salvasse O Sermão da Montanha, nada estaria perdido. ” Mahatma Gandhi

A versão do texto bíblico que reúne todas as qualidades concebíveis e cuidadosa dos ensinamentos contidos no Sermão da Montanha, esta no conteúdo do material compilado por Mateus e que engloba o essencial de forma prática, bem definida, específica e, ao mesmo tempo, esclarecedora (Mt 5-7).

As Bem-aventuranças

As bem-aventuranças traçam a imagem de Cristo e descrevem sua caridade: exprimem a vocação dos fiéis associados à glória da sua Paixão e Ressurreição; iluminam os ações e atitudes características da vida cristã; são promessas paradoxais que sustentam a esperança nas tribulações; anunciam as bênçãos e recompensas já obscuramente adquiridas pelos discípulos; são iniciadas na vida da Virgem Maria e de todos os santos. CIC 1717

Santo Agostinho dizia que as “bem-aventuranças”, é uma regra perfeita de vida cristã.

  • "Felizes os pobres em espírito, porque é deles o Reino dos Céus".  (Mt 5,3)

    Felizes em espírito são os que se tornaram livre dos bens materiais, não porque não os possua, mas porque mesmo que os tenha não estão submissos ou presos a eles.

    Isso merece a mesma admiração como o fato de não possuir quaisquer tipos de bens. Todos os bens, que conseguir com legitimidade, devem ser usufruídos e administrados em justiça.

    Todo ser humano precisa estar amparado por bens mateirais para sentir força e segurança. Esse amparo e apoio pode ser dispensado. O Eu Divino é superior e faz o afeto, a afeição, e o amor ser incomparavel e firme pela força interna do espírito.

    — "Não se prender àquilo que se possui é mais digno de admiração do que nada possuir." (S. Agostinho)
    — “Ser rico não é pecado – ser pobre não é virtude. Virtude ou pecado é saber ou não saber ser rico ou pobre.
    — Entre possuidor e possuído há, verbalmente, apenas a diferença de uma letra, o “r” – mas esse “r” fez uma diferença enorme, porque é o “r” da redenção. O possuído é escravo – o possuidor não possuído é remido da escravidão. Quem não sabe possuir sem ser possuído, fez bem em se despossuir de tudo. Mas quem sabe possuir sem ser possuído pode possuir”.(Huberto Rohden)

  • "Felizes os que choram, porque Deus os consolará".  (Mt 5,4)

    As lagrimas que hoje mostram sua tristeza será convertida em uma intensa alegria amanhã.

    Jesus nunca encorajou ninguém a permanecer no sofrimento e tampouco disse para aquele que sofre: Continue a sofrer porque Deus vai dar a você grande recompensa no futuro.

    Jesus nunca agiu dessa maneira. Ele colocou as mãos naqueles que sofriam e os fez recobrar a alegria de viver.

    Não espere aplausos ou agradecimentos por ter realizado um ato de ajuda ou recurso para livrar ou salvar alguém de uma situação aflitiva ou perigosa. Isso fara você muito mais feliz por ter cumprido uma missão.

    A vontade de Deus é que todo mundo experimente a felicidade e o sucesso. Jesus disse:

    — O ladrão vem só para roubar, matar e destruir. Eu vim para que tenham a vida e a tenham em abundância. (Jo 10,10)
    — Eu vos disse estas coisas para que minha alegria esteja em vós, e vossa alegria seja plena.  (Jo 15,11)

  • "Felizes os não violentos, porque receberão a terra como herança."  (Mt 5,5)

    Um comportamento pacífico, humilde, modesto, paciente, praticado com amor, é o contrário da ação dura de um coração cruel.

    A mansidão consiste em desistir de qualquer ato de violência, que tenha sua base fundada em sistema de regras que definem a perda ou ganho, e sua substituição pela força do espírito.

    O procedimento pacífico e o uso constante da prática do bem foi um pormenor na vida de Jesus. Ele deixou muito bem determinado que o coração de quem pacifica é o oposto daquele que possue um coração insensível, desumano.

    Jesus não fez uso de atos violentos, exceto quando foi necessário determinar o pecado como culpado. Ele sempre separou o pecado e o pecador investigando as verdadeiras características e qualidades que os tornavam diferentes. Jesus condenava o pecado e absolvia o pecador dando-lhe a oportunidade de seguir um novo caminho orientado a Deus.

    Para o homem não violento não há motivo algum que o faça valer-se da violência desumana, quando ele possui a virtude da brandura e a complacência espiritual.

    Os “mansos”, fazem uso de sua força espiritual e a força de suas almas, dignas da bondade, e isso fara dos mansos os verdadeiros herdeiros da terra.

    Só se pode ter ou reter algo em seu poder quando o desejo de um for semelhante ao desejo do outro.

    Algumas pessoas não conseguem exteriorizar emoções ou sentimentos por não ter com quem desabafar. Dar atenção a um carente é um ato virtuoso de quem não é violento, de quem é humilde, pacífico, bondoso, sereno.

    Herdar a terra é a dádiva graciosa de Deus entregue aos não violentos que nele confiam.

    — "Vinde a mim todos vós que estais cansados e fatigados sob o peso dos vossos fardos, e eu vos darei descanso." (Mt 11,28-30)
    — “Queres que arranquemos o joio? ” ... “Não! Para que não suceda que, ao colher o joio, arranqueis também o trigo." ...
    “Deixai que os dois cresçam juntos até a colheita; e no momento da colheita direi aos ceifadores: ‘Arrancai primeiro o joio e ajuntai-o em feixes para ser jogado ao fogo; e recolhei depois o trigo a meu celeiro’”. (Mt 13,27-30)

  • "Felizes os que têm fome e sede de justiça, porque Deus os saciará."  (Mt 5,6)

    Tenha fome e sede de escutar a palavra de Deus:

    — “Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e sua justiça, e todas essas coisas vos serão acrescentadas. ” (Mt 6,33)

    A palavra “justiça” deve aqui ser compreendida como uma das bases doutrinária de Deus e pela forma característica de como excede seus limites.

    Sempre que a palavra “justiça” é citada na Sagrada Escritura, ela está relacionada com a atitude que o homem assume, diante de Deus, sobre a maneira correta de pensar e agir em todos os assuntos relativos aos setores da vida.

    Tudo que você pensa você reproduz. Não é possível dar forma a algo que você não tenha pensado, ou seja, você pensa você faz. Não existe como pensar em uma coisa e fazer outra.

    Se quiser crescer no conhecimento de Deus, tenha seus pensamentos espirituais, sua atenção, sua vida, dedicada a Deus, ao contrário de ficar pensando nas suas limitações. O que faz a pobreza de uma pessoa é ela pensar que é pobre.

    Dedique sua atenção, sua vida a Deus ao invés de criar limitações para si mesmo. Não perca sua vida pensando em seus erros ou como é demorado conseguir realizar o que deseja, ao contrário, deseje mais, muito mais. Deseje que Deus esteja presente em sua vida. Peça a Deus prosperidade, sabedoria, não perca tempo reclamando. Faça seus pedidos de forma sincera e para o bem sem pensar em prejudicar outras pessoas.

    Tenha fome e sede de justiça. Quem tem a alma, o coração, o amor de alguém, tem também tudo que ele possui.

    Disse Jesus:

    — “Todo aquele que bebe desta água terá sede outra vez; mas quem beber da água que eu lhe darei nunca mais terá sede; pois a água que eu lhe darei vai tornar-se dentro dele uma fonte de água corrente para a vida eterna”. (Jo 4,13-14)

    Jesus afirma com ênfase:

    — Felizes os que têm essa “fome e sede da experiência de Deus”, porque eles serão “saciados”.

  • "Felizes os misericordiosos, porque conseguirão misericórdia."  (Mt 5,7)

    Encontramos na Bíblia instruções para sempre estar pronto a perdoar de modo perfeito e absoluto:

    — “Não julgueis os outros, e Deus não vos julgará. Pois com o mesmo critério com que julgardes os outros, sereis julgados. E a mesma medida que usardes para medir os outros será aplicada também a vós. Por que observar o cisco que está no olho de teu irmão, se não enxergas a trave que está em teu olho? Como tens coragem de dizer ao irmão: ‘Deixa-me tirar o cisco de teu olho’, sendo que tens uma trave no teu? Hipócrita! Tira primeiro a trave de teu olho e então enxergarás bem para poder tirar o cisco do olho de teu irmão”. (Mt 7,1-5)

    Sejamos misericordiosos ao julgar nossos irmãos, porque na verdade somos um só, e quanto mais grave for o erro do nosso irmão, mais urgente será a necessidade de ajuda-lo a pensar certo e tornar-lhe mais fácil libertar-se.

    O Cristo que está dentro do pecador está pedindo para você que está iluminado auxílio, amparo, socorro. Perdoa as ofensas que lhe fazem. Você vai receber o mesmo tratamento que der aos outros.

    Quando você liberta os outros do peso de sua condenação, você torna possível absolver-se a si mesmo da autocondenação.

    Quem tem a capacidade de perdoar e amar perdoa os mais fracos, os miseráveis. Jesus nos ensina:

    — “Pois se perdoardes aos outros as ofensas recebidas, também vosso Pai Celeste vos perdoará. ... Mas se não perdoardes aos outros, vosso Pai também não perdoará vossas ofensas”. (Mt 6:14-15)

    Não basta fazer o bem é necessário ser bom como é definido em dois dos maiores mandamentos que nos foi legado:

    — “Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, com todo o teu entendimento e com todas as suas forças. ... Amarás teu próximo como a ti mesmo. Não há mandamento maior do que estes”. (Mc 12,30-31)

    Atente que não são os efeitos que produzem a causa, mas é a causa que produz os efeitos. Não é o resultado de uma conduta que produz o motivo, mas o motivo produz a consequência. O ato bondoso vai resultar na prática da bondade.

    Os eleitos “felizes” por Jesus não são apenas aqueles que praticam a bondade, que fazem o bem – são aqueles que acreditam na doutrina de Deus, que exercitam os ensinamentos de Deus, e, portanto, são bondosos. Esses misericordiosos receberão o perdão, não dos homens, mas sim de Deus.

    Tudo que é feito com bondade é, por essência, gratuito, é de graça porque é concedido por Deus:

    — “Foi por essa graça que fostes salvos, por meio da fé. E isso não vem de vós, é dom de Deus; nem vem das obras, para que ninguém possa gloriar-se.” (Ef 2,8-9)

    Quem age conforme a filosofia e ensinamentos de Jesus Cristo não espera nada em troca. Faz dessa ação sua missão e não espera elogios ou demonstrações públicas. Toda as atitudes são feitas por amor a Deus.

    — “Assim também vós, depois de terdes feito tudo o que vos foi mandado, dizei: “Somos servos inúteis: só fizemos nossa obrigação”. (Lc 17,10)

    São estes os misericordiosos que conseguirão misericórdia – esses “Felizes”...

  • "Felizes os de coração puro, porque verão a Deus."  (Mt 5,8)

    É comum encontrar nas pessoas, em qualquer época, em busca da felicidade.

    Deus colocou no coração dos humanos um desejo incontido de ser feliz, e um coração inquieto tudo faz para satisfazer esse anseio. Foi assim desde o início, como descrito nos primeiros capítulos no livro de Génesis, e ali aprendemos como o pecado entra na história humana (Gn 3) maculando a origem da pureza e assim a permitindo que a busca pela felicidade perdesse seu referencial.

    Desde então, a humanidade clama chance de ser feliz:

    — São muitos os que dizem: “Quem nos fará provar o bem? ” Levantai sobre nós, Javé, a luz de vossa face. (Sl 4,7)

    Enviando seu filho, Deus atende a esta súplica. Em Jesus temos um rosto a semelhança de Deus e com a sua encarnação, vida, morte e ressurreição, Deus perdoa os pecados e das novas esperanças para a humanidade.

    Na grande maioria das vezes das suas ocorrências nas Escrituras, a palavra coração é usada figurativamente e não se restringe a ser a sede das afeições e motivações, nem se limita ao intelecto. O coração é o centro dos sentimentos, pensamentos e intenções da pessoa humana. E a Bíblia nos ensina que Deus olha, não às aparências, mas ao coração:

    — “Mas o Senhor disse-lhe: Não te deixes impressionar pelo seu belo aspecto, nem pela sua alta estatura, porque eu o rejeitei. O que o homem vê não é o que importa: o homem vê a face, mas o Senhor olha o coração”. (1Sm 16,7)

    Sendo assim, pode-se afirmar que podemos ver a Deus tomando por base, porque nosso coração resume o ser humano na sua totalidade e unidade de corpo e alma, na sua capacidade de amar e ser amado.

    Já a palavra “puro” significa basicamente estar livre de substâncias contaminadoras, limpo, claro e livre.

    Jesus diz de forma clara e explicita:

    — “Nada há fora do homem que, entrando nele, o possa manchar; mas o que sai do homem, isso é que mancha o homem.... Porque é do interior do coração dos homens que procedem os maus pensamentos: devassidões, roubos, assassinatos, adultérios, cobiças, perversidades, fraudes, desonestidade, inveja, difamação, orgulho e insensatez”. (Mc 7, 15.21-22).

    Sem um coração puro estamos condenados a jamais ver a Deus. Porém, o próprio Deus nos deixa uma promessa extraordinária através de Jeremias e Ezequiel. Então peça com fé:

    — “Criai em mim, ó Deus, um coração puro, renovai em mim um espírito resoluto”. 
    (Sl (50) 51)

    — “Eu vos darei um coração novo, porei dentro de vós um espírito novo; tirarei de vosso peito o coração de pedra e vos darei um coração de carne”. (Ez 36,26)
    — “Eu lhes darei um outro coração e porei dentro deles um espírito novo; tirarei de seu peito o coração de pedra e lhes darei um coração de carne...” (Ez 11,19)

    São Francisco de Assis repetia muito um de seus princípios básicos: “O que um homem é diante de Deus, assim é, e nada mais”.

    Assim, quem possui pureza de coração possui também pureza de intenções e desta forma, todos são capazes de ler em seu íntimo e também através de suas ações. Quem é puro de coração é feliz, acima de tudo, por antecipar para si mesmo a visão da santidade de Deus. Eles verão a Deus por meio de Jesus Cristo, por meio da revelação de sua Palavra, e no rosto de cada irmão e irmã. Depois, numa perspectiva escatológica futura, verão a Deus em toda a sua plenitude.

    O que o homem pensa em seu coração, assim ele é. “Guarda o teu coração com toda a diligência, pois dele saem as raízes da vida”.

    Muitos creem em Deus, mas só o puro de coração vê a Deus. Felizes os que reconhecem em Deus a única realidade, a verdadeira presença e o único poder verdadeiro...

    “Felizes os de coração puro, porque verão a Deus”.

  • "Felizes os que promovem a paz, porque Deus os terá como filhos."  (Mt 5,9)

    A oração é o principal meio estar com Deus. É um ato único e contribui de forma ampla na modificação de um caráter. Quando, através da oração, sente-se a presença de Deus de forma firme e forte, é percebe-se que há uma mudança radical no comportamento, na maneira usual de ser, e que muda, para melhor, a vida de quem pratica a oração com fé.

    A maior forma que da oração e encontrada e através da meditação e sua maior forma é a meditação profunda. É quando se encontra, através da oração, a paz interior e assim pode-se sentir a presença de Deus em nossa vida:

    — “Eu vos deixo a paz; eu vos dou minha paz. Não vo-la dou como a dá o mundo. Que vosso coração não se perturbe nem tenha medo". (Jo 14,27)
    — “E tudo quanto pedirdes com fé na oração, vós o recebereis”. (Mt 21,22)

    A paz de espírito é elemento indispensável para uma oração plena de sucesso, e para que a presença de Deus seja sentida. Para evoluir na oração é preciso uma grande concentração, serenidade, e paz – a paz que Jesus se refere como nos foi ensinado por Santo Agostinho: Imitai aquele que sofreu por vós, deixando-vos o exemplo, para que sigais os Seus passos:

    — “Com efeito, é para isto que fostes chamados, pois também Cristo padeceu por vós, deixando-vos o exemplo, para que sigais seus passos”. (1Pd 2,21)

    Imitem ao que disse em favor de seus perseguidores - continuou ensinando Santo Agostinho:

    — “Pai, perdoai-os porque não sabem o que fazem”.  (Lc 23,34)

    E é este o grande tratado de paz, no santuário das almas: Uma paz inabalável é sólida e completa em prazer e satisfação, porque tem a base do seu fundamento feito na realidade.

    Tendo-se paz de consciência tudo é tolerável, mas essa paz só pode ser conseguida por quem é capaz de a receber por estar sempre próximo a Deus. Isso é o verdadeiro tesouro do Reino dos Céus.

    Quem não é pacificado dentro de si mesmo, não pode ser pacificador fora de si e quem não possui paz interior nunca poderá conseguir promover a paz a quem precisar. — "Felizes os que promovem a paz, porque Deus os terá como filhos".

  • "Felizes os que são perseguidos por agirem retamente, porque deles é o Reino dos Céus."
      (Mt 5,10)

    O amor a Deus e a caridade prestada ao próximo são dois mandamentos que de forma firme e constante orienta o homem integro, o homem que se comporta de forma justa.

    Os textos contidos na Sagrada Escritura expõem acontecimentos que ensinam não ser apenas o homem que procura Deus, mas que é o próprio Deus procura o homem e com ele fixa uma aliança.

    Mas pode existir perseguição para quem tem um comportamento justo, integro?

    A Bíblia tem muitas afirmações de que essa perseguição acontece e é secular. Nela encontramos citações como:

    — “...virá a hora em que todo aquele que vos matar vai pensar que está prestando um serviço a Deus”." (Jo 16,2)
    — “...antes de tudo isso, lançarão as mãos sobre vós e vos perseguirão. Sereis entregues às sinagogas e às prisões, arrastados perante reis e governadores por causa de meu nome”. 
    (Lc 21, 12)

    Jesus advertiu seus discípulos e seguidores:

    — "Eu vos envio como ovelhas no meio de lobos..." (Mt 10,16)
    — "... antes de tudo isso, lançarão as mãos sobre vós e vos perseguirão. Sereis entregues às sinagogas e às prisões, arrastados perante reis e governadores por causa de meu nome." (Lc 21,12);
    — "Sereis odiados por todos por causa de mim. Mas quem perseverar até o fim será salvo. (Mt 10,22)

    Porém, a bem-aventurança não diz: "Felizes os perseguidos...", mas: "Felizes os que são perseguidos por agirem retamente...", e aí esta toda distinção.

    Jesus diz, repetidamente, que nosso Pai deseja que seu Reino seja alcançado por todos que cultiva a serenidade, a paz de espírito. Jesus diz, ainda, que os pacificadores herdarão a terra, e seus sofrimentos serão transformados em alegria e, seja o que for que pedirem ao Pai, Ele vai conceder.

    Dizem que ser perseguido significa ser bem-aventurado e que isto é o resultado de um pensamento honesto, de inteireza de caráter e, tal comportamento trará o triunfo; falam, ainda, que ser caluniado, acusado é motivo de alegria; que os Profetas e todos os Iluminados passaram por todo esse processo.

    A verdade é que tudo o que foi dito está completamente correto. Mas devemos entender que a narrativa não trata de um perseguidor que vem de fora, mas da parte mais inferior que existe em nosso interior.

    Jesus, até mesmo na Cruz sentiu essa “perseguição”:

    — “...Pai, perdoai-lhes, porque não sabem o que fazem”. ... (Lc 23,34)

    O Apóstolo Pedro diz:

    — “Mas alegrai-vos à medida que participais dos sofrimentos de Cristo, a fim de que também na revelação de sua glória possais ter uma alegria transbordante”. (1Pd 4:13).

    Masoquismo? É claro que não.

    Não existe virtude nem vantagem em ser perseguido, importunado ou incomodado por quem quer que seja. Nada acontece a partir das diferentes situações por que passamos, a não ser que determinada situação entre em sintonia com algo em nosso interior. Passar por dificuldade é apenas uma forma de saber que algo em nós precisa ser modificado. Tudo que vemos ou passamos faz parte de nosso próprio conceito.

    Preferimos, à semelhança do nosso Mestre, fugir do sofrimento, mas, a favor da vida, somos capaz de orar:

    — “Pai, se possível leva para longe de mim este cálice, sem que dele precise beber, mas não seja feita, de forma alguma, a minha, mas sim a Tua vontade”.

    Felizes os que são perseguidos por agirem retamente, porque deles é o Reino dos Céus.


  • Os oito preceitos acima foram ditos por Jesus para todos.
    Os próximos dois preceitos foram dirigidos aos discípulos, preparando-os para o futuro.

  • "Felizes sereis vós, quando os outros vos insultarem e perseguirem, e disserem contra vós toda espécie de calúnias por causa de mim."  (Mt 5,11)

    A injúria, a perseguição e a mentira é algo que incomoda qualquer ser humano. São frutos de mentes e corações distantes do amor e do bem. São as armas prediletas para atacar quem segue os ensinamentos de Jesus a procura da paz eterna.

    Que sejam abençoados aqueles que, entendendo a mensagem de Jesus, compreenderam que o Cristo está dentro deles.

    Este é o caminho escolhido por aqueles que, optam por tornar público o seu Cristo interior ao mundo. E esta foi a opção dos discípulos de jesus.

    Os discípulos entenderam que eram bem-aventurados quando sofriam injurias e perseguições. Isso os tornavam participantes das aflições de Cristo.

    Mesmo quando perseguido, caluniado e injuriado o bem-aventurado é bem-aventurado: a felicidade eleva-se acima desta vida para a eterna.

    O legado deixado por Estêvão, é tudo que deve ser imitado como exemplo de amor e fé em Cristo:

    — “... seus corações ardiam de furor e eles rangiam os dentes contra Estêvão. Ele, porém, cheio do Espírito Santo, fixou os olhos no céu e viu a glória de Deus e Jesus de pé a sua direita; e disse: ‘Estou vendo os céus abertos e o Filho do homem de pé à direita de Deus’. Então, ... todos juntos, lançaram-se sobre ele; expulsaram-no ... e puseram-se a apedrejá-lo. E, enquanto o apedrejavam, Estêvão rezava, dizendo: “Senhor Jesus, recebe meu espírito! ” Depois dobrou os joelhos e gritou forte: “Senhor, não leves em conta este pecado deles”. E, dizendo isto, adormeceu”. (At 7,54-60)

    Felizes são aqueles que sofreram ou sofrem para elevar, o mais alto possível, o nome de Jesus Cristo, os que tudo fizeram ou fazem para que a Doutrina de Cristo se torne, cada vez mais, estável, sólida e compreendida na face da Terra.

    Mais vale ser odiado que odiar, ser ofendido que ofender, ser perseguido que perseguir. Quanto mais rude e dolorosos os golpes recebidos, maior será a recompensa no Céu.

    O Mestre oferece flores celestiais para todos aqueles que perseverem até o fim seguindo os seus ensinamentos:

    — “Amai-vos uns aos outros com amor fraterno e, quanto ao respeito, cada qual considere os outros como mais merecedores. Sede esforçados, sem preguiça, fervorosos de espírito, a serviço do Senhor. Sede alegres na esperança, pacientes na tribulação e perseverantes na oração. Sejam solidários diante das necessidades dos irmãos, acolhedores na hospitalidade. Abençoai os que vos perseguem; abençoai e não amaldiçoeis”. (Rm 12,9-14)

    Esta é a opção escolhida por quem sente a presença deste Cristo em sua vida:
    “Felizes sereis vós, quando vos insultarem e o perseguirem... por causa de mim”.

    Aí está a magnitude: por causa de mim. Não é pela forma de mostrar a sua vontade ou por seus erros humanos cometidos, mas por causa de mim. E quando fizer isso por causa de mim, não tenha temor ou receio, isto é uma dádiva, é por isso serás feliz.

  • "Alegrai-vos e exultai porque recebereis uma grande recompensa no céu. Pois foi assim que eles perseguiram os profetas que vos precederam!"  (Mt 5,12)

    Deus tem tudo preparado para aqueles que participam de suas bênçãos! Caminhar nas Bem-aventuranças é caminhar com Cristo, é seguir por caminhos seguros e encontrar a recompensa, a grande satisfação de uma nova vida na casa do Senhor:

    — “Uma só coisa peço a Javé, só isto desejo: morar na casa de Javé todos os dias de minha vida para gozar da suavidade de Javé e contemplar seu santuário”. (Sl 27,4)

    Os verdadeiros cristãos são ultrajados, perseguidos e caluniados pelos homens do mundo que a eles se opõem.

    Falsos cristãos, de comportamento vulgar, sem virtude e sem qualidade de sal e de luz, são os homens que elogiam sem motivos, são expressivos e convincentes, além de engrandecer qualquer um.

    Faça um teste para saber quem você é. Se o elogiam, se falam bem de você por qualquer motivo, tratam você muito bem, se batem nas suas costas, dizendo: Está tudo ótimo e maravilhoso, parece então que, no ponto de vista de Jesus, você não tem a qualidade de um legítimo cristão:
    “Felizes vós quando os homens vos odiarem, repelirem, cobrirem de injúrias e rejeitarem vosso nome como infame por causa do Filho do homem”. (Lc 6,22)

    Não é preciso chegar ao extremo de ser agredido, basta apenas que olhem para você de modo estranho, que seja dita uma palavra áspera, que alguém seja atrevido, insolente e você já “devolve” em dobro e sempre com ódio e rancor.

    Jesus nos ensina como devemos nos comportar em tais situações:

    — "Ouvistes que foi dito: ‘Olho por olho e dente por dente’. Mas eu vos digo: Não deveis resistir aos maus. Ao contrário, se alguém te bater na face direita, oferece-lhe também a esquerda". (Mt 5,38-39)

    E o Jesus disse mais naquele dia em que todos sentaram na relva para ouvi-lo:

    — "Vós sabeis que foi dito: ‘Amarás teu próximo e odiarás teu inimigo’. Mas eu vos digo: Amai vossos inimigos e rezai pelos que vos perseguem, para que sejais filhos de vosso Pai Celeste que faz nascer o sol para os maus e os bons e faz cair a chuva sobre os justos e os injustos. De fato, se amais os que vos amam, que merecimento tereis? Os publicanos não fazem isso também? E se saudais só vossos irmãos, que fazeis de extraordinário? Os pagãos não fazem isso também? Sede, portanto, perfeitos como vosso Pai Celeste”. (Mt 5,43-48)

    Se por querer ter o reino de Deus, pelo seu comportamento cristão, de sua linguagem modificada para melhor, por sua fé, porque segue os mandamentos de Jesus sem receio e sem medo, você não é aceito e é perseguido, fique contente: Você está tendo uma clara demonstração que, apesar de sua fragilidade, está sendo um cristão. E é por isso que Jesus o chama de bem-aventurado.

    Não existe cristão sem sua cruz. A dor sem sofrimento não é dor e angustia sem amargura não é angustia.

    Jesus passou por tudo isso e muito mais. Deus não está sendo insensível com você. Ele o trata com austeridade, porque você é seu filho também e Ele o quer ao Seu lado, feliz e para todo o sempre.

    Se seu sofrimento é sustentado por sua adesão à justiça e ao evangelho de Cristo, a recompensa não será angústia e medo, mas uma alegria impossível de ser explicada com palavras.

    Com certeza você é um Bem-aventurado.


Fontes:
Bíblia Ave Maria, Bíblia do Peregrino, Bíblia de Aparecida, Catecismo da Igreja Católica, O Sermão da Montanha - Huberto Rohden, O Sermão da Montanha - Pe Fernando Cardoso, O Sermão da Montanha - Emmet Fox